Entrevista da Semana

2017-08-11 18:19:12

Wagner Reway

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Árbitro profissional há quase 15 anos, Wagner Reway entrou para o quadro da CBF há oito e, desde então, apita jogos da Série A do Campeonato Brasileiro. Em fevereiro deste ano entrou para o ainda mais restrito quadro da Fifa, tornando-se o primeiro de Mato Grosso a conseguir tal feito. Reway tem 36 anos e nasceu em Cascavel-PR, mas sua carreira como juiz de futebol começou aqui na Capital, apitando jogos pela Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF) no j, distante ano de 2004. Veio para o Estado ainda muito jovem, quando foi morar com a família em Lucas do Rio Verde (a 300 km de Cuiabá). Crescido, aos 21 anos fez um vestibular e foi aprovado para o curso de Educação Física. Por força da decisão, mudou-se para cá. Fã de primeira hora de futebol, a opção pelo curso foi para, nas palavras dele, conhecer melhor as regras do esporte. Durante a graduação, no entanto, foi se sentindo ainda mais atraído pelo que pode ou não pode acontecer dentro dos 105m (comprimento) por 68m (largura, padronizados desde 2016) em um campo oficial. Acabou apaixonado pela adrenalina de controlar os 22 atletas em campo, mais técnicos e suas comissões e, claro, seus auxiliares. Tanto que nem liga com os percalços comuns à profissão, como os adjetivos nem um pouco lisonjeiros dirigidos cotidianamente à mãe e, durante praticamente todos os 90 minutos (sem contar o aquecimento e o pós-jogo), a ele mesmo. Leia abaixo a íntegra da entrevista que ele concedeu ao .

Por que decidiu ser árbitro?

Eu gostava de futebol e aí já fazia faculdade de Educação Física, queria trabalhar na área. Fiz o curso para saber um pouco mais sobre as regras do esporte, não necessariamente para ser árbitro. Mas depois do curso, acabei gostando e continuei. Em parte, foi por isso.

Sua mudança para o Rio de Janeiro teve alguma coisa a ver com a falta de estrutura do futebol local?

Não. Foi só por conta da vida pessoal mesmo. Trabalho, profissional e vida pessoal.

Em algum momento a torcida consegue ofender?

Não, porque apesar de eu não concordar com a maneira de a torcida se manifestar, vejo como algo cultural e não como uma ofensa pessoal. Quando a gente comete erro também, vejo mais como exacerbação de um sentimento, assim como acontece quando a torcida xinga um jogador por ele errar um pênalti, por exemplo. É um rompante ali, daquele momento, e acho que é algo cultural, apesar de não concordar.

 

É possível viver somente com o salário de árbitro de futebol no Brasil?

Financeiramente falando, quando está apitando, e sendo um árbitro da Fifa sim, mas acontece que é muito instável a vida na arbitragem. Se comete um erro grave, você acaba ficando fora, então, pra segurança financeira, não. Ou seja, os valores que se ganha quando está atuando permitem isso (viver só do apito), porém é muito inseguro. Então, na verdade você tem que ter outro lugar onde se apoiar.

Como é quando xingam a mãe do senhor?

Então... a gente nem ouve (risos). Fica concentrado no jogo e não ouve. Concentrado, não se vê nada. Eu, pelo menos, não vejo nada fora do campo, absolutamente nada. A gente só sabe que o estádio está cheio pelo barulho, porque não olha, não consegue ter essa noção, nem ver nada fora do campo. Eu, pelo menos, me coloco dessa forma, controlo a emoção de tal forma que não vejo.

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